Relato
Acompanhei uma semana de trabalho dos Doutores da Alegria de Belo Horizonte-MG (Unidade Pão de Queijo para os íntimos).
Na terça-feira, dia 11 de agosto, visitei de “cara limpa” o Hospital das Clínicas e acompanhei o trabalho do trio: Dra. Guadalupe (Tereza Gontijo), Dr. Titetê (Cícero Silva) e Dra. Pororoca (Layla Roiz ).
Os artistas chegam por volta das 9h30min da manhã no hospital, se aprontam (maquiagem, figurino, aquecimento, etc.) e às 10h começam o trabalho. O trio caminha em silêncio pelo corredor e de longe são avistados por crianças que começam timidamente a comentar com os pais a presença dos Doutores da Alegria. Naquele momento, o hospital muda de cor e as pessoas são convidadas para um novo tipo de relação, através do imaginário do palhaço. Essa relação muitas vezes é um misto de imaginação e realidade, onde o hospital entra com a realidade e o palhaço com a imaginação. Esse é o desafio.
No decorrer das visitas fui percebendo o quanto a equipe do hospital é parceira do trabalho, parceria conquistada no dia-a-dia, afinal, você pode amar os Doutores da Alegria e não estabelecer uma parceria. Faz toda a diferença para os pacientes quando é visível o trabalho de equipe entre o profissional de saúde e o palhaço; cada um na sua posição, mas jogando no mesmo time. Há uma confiança nesse faz de conta.
Momentos saborosos que se repetiram durante o dia: De um lado Dr. Titetê (o chefe, o Branco, o que manda), do outro lado as Dras. Guadalupe e Pororoca (as subordinadas, as Augustas, que obedecem). Elas se divertiam muito sendo as idiotas da história, sempre provocando o Dr. Titetê, e comparsas em qualquer situação. Titetê por sua vez, com muita dignidade, recebia as provocações e elegantemente tentava sair por cima, mas como é clássico no jogo do palhaço, o chefe acabava se dando mal e o povo gargalhando.
Na quarta- feira dia 12, fui conhecer a sede de BH, localizada num prédio comercial na Avenida do Contorno, onde calorosamente fui recebido pelo elenco. A primeira coisa que me chamou a atenção foi aquele quadro que fica na recepção dos prédios, informando qual especialidade aquela sala daquele andar atende. Pois é, no 15° andar informava “Doutores da Alegria/ Besteirologistas”. Fico imaginando uma pessoa qualquer olhando esse quadro de informações e lendo: 5° andar Oftalmologista, 11° andar Cardiologista, 15° andar Besteirologista. Adoraria saber o que essa pessoa pensaria!
O espaço é muito agradável, com uma bela vista de BH, e o funcionamento fica por conta do grupo, coordenado por Fernando Escrich. Participei da aula de corpo e voz ministrada pela professora e atriz Fernanda Vianna, que mantém um treinamento semanal com o grupo. Na parte final da aula, participei com eles de um exercício de improvisação de palhaço com estímulo musical proposto pela Layla, onde me diverti muito ainda que tenha ficado um pouco perdido no começo.
No dia seguinte, fui trabalhar no Hospital das Clínicas e formamos um quarteto: eu, Dr. De Dérson (Anderson Spada), Dra. Guadalupe (Tereza Gontijo), Dr. Titetê (Cícero Silva) e Dr. Custódio (Eliseu Custódio).
Estava ansioso, pois nunca tinha trabalhado como Doutor da Alegria em outro Estado e nem com esses palhaços. Sempre que eu trabalho com um palhaço pela primeira vez, tem uma curiosidade mútua, saber como ele é, como reage, eu conheço o outro e me reconheço no outro. Portanto, vamos com calma mas tomando atitudes, pois é na ação que nos conhecemos, nos mostramos e nos reconhecemos. Adoro esses lugares que o palhaço me leva.
Bem, todos prontos, instrumentos besteirológicos nos bolsos e lá vamos nós. É muito comum a curiosidade das pessoas com um palhaço que elas nunca viram, então você é muito observado. As pessoas dizem: Olha o sapato dele! Olha o nariz dele! É bom saber o impacto que você causa nas pessoas e aquilo que elas vêem primeiro em você.
O jogo entre nós, palhaços, foi se afinando rapidamente e criamos intervenções bem legais. Por exemplo, uma apresentação musical enquanto esperávamos o elevador (que por sinal demora muito), com cavaco, flauta, pandeiro e ovinho. Tocamos o terror! Cantamos músicas do nosso repertório besteirológico e outras de improviso, juntamos um público de enfermeiras, médicos, pacientes adultos e crianças, o pessoal da limpeza e manutenção, todos envolvidos. E tantas outras cenas surgiram no decorrer de 6 horas de trabalho, afinal, atendemos cerca de 80 crianças!
Pude experimentar trabalhar com todos eles, hora em dupla, hora em trio e hora em quarteto, quando me lembrei dos meus parceiros Zuzu, Daduvida e Pistolinha, e dos tempos do Instituto da Criança em SP.
Espero ter contribuído de alguma forma para o nosso trabalho.
Obrigado Unidade Pão de Queijo! Pela recepção, carinho e respeito.
Anderson Spada/ Dr. De Dérson
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Setembro 17th, 2009 às 14:49
Parabéns pela ação de solidariedade. Fico, realmente, muito feliz e orgulhosa de pessoas que vem ao mundo para fazer a diferença! Novamente, Parabéns pelo trabalho e desejo que vocês continuem aí, Levando alegria para todas essas crianças e à quem está ao redor delas.
Setembro 17th, 2009 às 16:31
É sempre muito fácil e agradável falar do De Dérson, ler o que escreve, ouvir o que canta e diz, ver o que apronta…
Saudade: muita! Melancolia:nenhuma! Orgulho: demais (pelo muito que aprendi consigo).
A este palhaço,minha (ir-)reverência!
Sua fã de carteirinha registrada e constantemente atualizada.
Setembro 26th, 2009 às 22:38
Parabéns a equipe dos Doutores da alegria de Belo Horizonte. Vocês não levam só alegria, levam também esperança, e certeza de dias melhores. Desejo a todos muita força e perceverença e principalmente grandes recompensas, vocês são maravilhosos.
Setembro 29th, 2009 às 14:27
Parabéns Lais!!! O trabalho é realmente encantador e gratificante.. Pena que não pude participar da oficina de agosto devido a gripe que contrai.
Abraços
Janaína Machado Borges - Santa Casa SAMonte
Outubro 7th, 2009 às 13:52
Anderson, adorei seu relato. É gostoso ler sobre a experiência de chegar nos Doutores em outra cidade. A gente vê o trabalho com olhar estangeiro e depois mergulha nele.
Bj
Thais
Outubro 7th, 2009 às 16:45
Só de ler as palavras descritas no relato sinto calafrio…rsrs
Minhas palavras nada mais são que:”Meus Parabéns por tudo”! Um simples gesto de vocês mudam completamente o dia dessas crianças que realmente necessitam. Por isso PARABÉNS, PARABÉNS E PARABÉNS….
BJOKS…
Aline
Outubro 9th, 2009 às 14:12
querido Dederson, que bom ouvir sua experiência! a maneira como você descreve tudo da pra ver que foi muito especial essa tua iniciativa, trabalhar com o povo mais hospitaleiro do planeta, (hospitaleiro é que gosta de hospital????)
seria muito bom se pudéssemos fazer isso muitas vezes!