Hoje é dia do Repórter!
E para comemorar este dia, pedimos para nosso querido Dr Mané Pereira (Marcio Douglas) que entrevistasse (por que não?!) Livia Deodato, repórter do jornal O Estado de S. Paulo. Veja no que deu:
Dr Mané: A credibilidade de uma notícia ou fato deve-se muito à percepção e honestidade do jornalista. Mas esquecemo-nos, às vezes, de mencionar, ora por sigilo, ora por vaidade, de um componente fundamental para o jornalismo: A Fonte. Pergunto: A melhor Fonte é a de água mineral?
Lívia Deodato: Com certeza! Pra molhar a garganta e fazer perguntas afiadas, com a intenção de captar as respostas mais argutas e assim confrontá-las. Só não vale desperdiçar a mais pura das fontes pra acordar ninguém, tá bom?
MP: Atualmente a sociedade brasileira sofre com a total mediocrização da cultura, onde o que é sensacional não tem o seu reconhecimento. Com isso você acredita que a imprensa marrom está desbotada?
LD: Antes estivesse. E olha que marrom nem combina com nada! A tendência de 2009 para a imprensa continua, sem dúvida, com as cores clássicas branco, preto e, vá lá, um amarelo para dar uma iluminada.
MP: O crescimento urbano nas grandes metrópoles brasileiras enfrenta hoje um grave problema: o próprio crescimento urbano. Do outro lado, porém, na mesma via, existe um transporte público precário que, consequentemente, não atende a esse crescimento. Isso explicaria porque uma Entrevista Coletiva não é feita em ônibus?
LD: Exatamente. Em ônibus só é possível ocorrer entrevistas individuais mesmo – uma pergunta sobre o itinerário ao motorista, uma questão sobre o troco errado dado pelo cobrador. Raros são os momentos de um grito avisando ‘vai desceeeeeer!’ para o condutor, o que poderia ser classificado como uma coletiva.
MP: Hoje em dia é muito comum recebermos via internet, ou via papel reciclado, um boletim de novidades chamado Newsletter. Porém vivemos numa sociedade onde a relação tempo X novidade está em desequilíbrio (muitas novidades num curto espaço de tempo). Diante de tantos desavanços e tendo esta comunidade uma memória tão curta, não se faria necessário a criação de uma Oldsletter?
LD: Seria providencial. Oldsletter nos traria memórias tão longíquas quanto relevantes do passado, saudoso tempo que ficou para trás e não volta mais.
MP: Você acha importante para o jornalista ter um Correspondente? Complementando essa pergunta: Você é casada?
LD: Não só para o jornalista, mas também para as demais profissões. O que seria de um político de direita sem o da esquerda? Ou vice-versa: O que seria de um advogado de esquerda sem o seu Direito?
Ainda não me casei, mas já tenho um correspondente na Metrópole do Estado de S. Paulo.
MP: “A verdade vos libertará!” poderia ser um slogan para um jornal?
LD: Não, porque sempre haverá pelo menos três verdades: a minha, a sua (a que de quem lê) e a do entrevistado.
MP: Para ser um bom repórter, é preciso morar na Cobertura?
LD: Não necessariamente. No entanto, os que assim habitam o local têm uma visão privilegiada e podem oferecer um relato macro de qualquer que seja a pauta relativa à cidade.
MP: Existe remendo para o furo de reportagem?
LD: Depende do tamanho do furo. A relação é inversamente proporcional: Quanto maior for o furo que você tomar, menor a sua chance de continuar empregado.
MP: A imparcialidade é uma das características do bom jornalismo. Você acha que a pizza de dois sabores pode ser imparcial?
LD: Também depende. Invariavelmente o sabor mais forte predomina. Se o motoqueiro fizer uma curva fechada no caminho até a sua casa, as fatias de aliche podem escorregar para o lado da mussarela e aí já viu: queijo com sabor de peixe em conserva.
Pingue pongue:
Uma letra? A de amor. B de baixinho. C de coração.
Um cheiro ruim? O azedinho-doce que sai do seu sovaco se você se esquecer do desodorante.
É ou não é? Claro que é.
Ilhas Caiman ou IR? Ilha das Bermudas, onde não só os impostos como você todinho também pode sumir do mapa.
O palhaço, o que é? Já foi ladrão de muié e agora gosta de comer acarajé e nadar onde não dá pé lá em Itacaré.
Um sonho não sonhado? Porque você ainda não dormiu.
O jornaleiro? Dono de um mundo infinito.
Cola lavável ou cola em bastão? Cola em bastão porque não suja a mão (rimou!)
Uma personalidade inútil? Todos as do BBB, que dão zzz…
Corretivo ou errata? Errata, pois ela admite o erro e não finge que ele não aconteceu.
Um número de celular? 8666 e um tapa na orêia!
Pingue-pongue tem hífen? Tem!
Depois desse pingue-pongue (ou pingue pongue, ou ping pong) e para teminar um pega-pega: Tá com você! 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 10… e lá vou eu!
A Lívia trabalha no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo
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Março 5th, 2009 às 19:40
Ao terminar de ler esta entrevista, deitei e não consegui dormir de tanto refletir. São questionamentos muito fortes e respostas impactantes.
Parabéns aos dois. Muito digna a entrevista.
Julho 21st, 2009 às 12:21
Manter trabalho, timo trabalho!