Sobre o mês de outubro no Instituto da Criança/ SP - Dras. Manela e Lola
De tropeço em tropeço… Assim caminha o palhaço.
Entre um tropicão e outro escreve sua história, constrói imagens, sonha, salta, voa e cai.
Cai mas levanta. Levanta mas cai.
De um passo firme a um tropeção.
De um grand plié a um escorregão.
De palavrinha a palavrão.
É frente e verso. É direito e avesso. É fora e dentro. É tudo e nada.
Talvez por sentir que não cabe direito nesse mundo, essa inadequada figura dá passo maior que a perna; quer ver gente, quer brincar, quer olhar, quer falar, mas tropeça nas próprias palavras, nas próprias idéias.
E foi de tanto tropicar nos próprios pés, no almoço e nas voluntárias que acabamos nos desencontrando de nós mesmos, dos enfermeiros, médicos, pais e crianças do sexto andar do ICR e assim o palhaço virou incômodo.
Peraí! Bobo, trouxa, desengonçado, troncho, feio, esquisito e engraçado tudo bem, mas INCÔMODO?! Não era essa a intenção.
Então, conforme orientação da nossa Guru, Beatriz , marcamos uma reunião com a equipe do sexto andar para falar sobre isso. Um café da manhã. Levamos pão, suco, salgadinhos, queijo, bolo e outras delícias. É claro que elas não levaram a sério o nosso convite para o café da manhã e não levaram nenhum petisco para contribuir. Acharam que nós íamos chegar com frango de borracha, ovo de plástico e nem ligaram. E digo mais: só apareceram na reunião porque tinham que estar lá mesmo para trabalhar. Mas que bom que apareceram. Fizemos a festa. Foi uma confraternização, um banquete carnavalesco. Entre mordidas, goles e sabores, conversamos sobre nossa presença no sexto andar e entramos num acordo quanto ao melhor horário para nossas visitas.
Essa comunhão nos colocou em condições de igualdade. Unidos pelo que existe em todos nós: a fome e a vontade de comer; nos vimos humanos, gente de carne, osso, emoção, alma e espírito. Palhaço também é gente. Médico e enfermeiro também são. Estamos juntos nesse barco. Queremos essa troca, essa conversa, esse diálogo constante e estamos abertos a isso.
Nosso trabalho se constrói a cada encontro. Queremos o encontro apesar dos desencontros. E os desencontros nos impulsionam para outros encontros e…
Assim caminha o palhaço.
Ass: Lola/Luciana Viacava
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Dezembro 2nd, 2008 às 12:47
É normal acontecerem essas coisas no meio de uma equipe.
Agora, cá entre nós: ‘ô povinho muqirana! Nem pra levar uma pãozinho?!
Qualquer coisa,podem vir pra cá, pro Campo Limpo, que aqui não tem miséria não…e onde cabem dois palhaços,caberão quatro…se não couber,a gente faz caber, né não??
Sei que já falei mas vou falar de novo:Lola e MAnela, VOCÊS SÂO DEMAAAAAAAAAAAAAAAAIS!!!!!!!!!!!
Dezembro 14th, 2008 às 15:04
encontros e desencontros: desajustes.
Janeiro 23rd, 2009 às 23:01
Eu quero!