cerol

Junho 17th, 2008 de Doutores da Alegria

Infelizmente não casei nesse Maio que passou… Dada a minha exigência, talvez, mas como diz minha avó: o que é meu está guardado. Espero que num lugar visível. E aproveitando a deixa – prometo que serei breve – o meu Fluminense, na noite de hoje, eliminou o Boca, grande time argentino, por 3x1. Totó vai ter que dormir com essa. Bons sonhos, querido parceiro.

Pronto, não falo mais do Nense, que irá para a final da Libertadores.

O mês que passou, passou. Mas nada do que por nós passa, fica incólume, nem nós, nem o mês. Portanto, exijo que minha memória tome conta de minhas mãos e como um rio tranqüilo conduza minhas palavras por esse relatório que está me parecendo poético. E já que assim parece, trago a delicada sabedoria de um poeta do centro do Brasil, de 90 anos, chamado Manoel de Barros:

“A maior riqueza do homem é sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito.
Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.”

Bem, após essa belíssima citação, que venha minha memória!!!!

- Totó, você está ai?

Totó, acho que perdi minha memória. Eu sei que você vai dizer que ando perdendo minhas coisas. Não precisa nem lembrar quando perdi minha voz numa das enfermarias e fizemos com que nossos pacientes a procurassem. O pior dessa situação foi você ter tentado me ajudar com aquele aparelho falsificado que você comprou no Paraguai para me fazer falar e acabei latindo, miando, relinchando… Uma vergonha. Não vale também dizer que perdi minha chave e que você achou no meio dos meus belos cabelos durante uma consulta. A paciente, claro, achou que meu cabelo era um depósito, e você, de metido que é, ainda achou aquele cadeado que tranca o nosso armário.

Outra coisa também é essa mania de dizer que venho para o hospital dormindo de boca aberta e sempre que minha voz se altera, você manda eu fazer aquele ritual de não sei onde, que sempre faz com que saia da minha garganta algo que sem querer ali se alojou. Outro dia, na frente da Eleneide, só porque minha voz afinou, e você sabe que quando fico nervoso, minha voz afina, lá fui eu fazer o ritual, e não sei como que da minha boca sai um vaso de planta. A sorte é que a paciente Eleneide gostava de rosa e aceitou cuidar enquanto trabalhávamos.

Mas eu vou parar por aqui, porque roupa suja se lava na sala dos besteirologistas e realmente estou preocupado com minha memória. Vê se faz alguma coisa bacana por mim, além de ficar me chamando de elefante nas homenagens que faz diante do pacientes e me ajuda a contar alguma coisa no relatório enquanto eu procuro minha memória. Pelo que eu me lembro, antes de chegar aqui onde estou, eu fui fazer o cabelo e depois…Ah, lembrei, depois fui assistir ao jogo do Nense, que ganhou e eliminou o Boca por 3x1 no Maraca. Inclusive, não me lembro se já falei que o Nense está final da Libertadores. Não é nada pessoal, de verdade Totó, é que quando a gente perde a memória, fica meio repetitivo mesmo.

Já falei que o Nense….heheheh…

A Idade tanto bate que a Memória até que fura!
É, Provisório… com a chegada dos primeiros cabelos brancos vêm também os primeiros esquecimentos, como já diria… diria… bem, vamos em frente!

Nesse mês foi marcante um evento que se deu fora das enfermarias. Mais precisamente no corredor, e, para ser ainda mais preciso, no nosso mural! Após publicarmos nossa primeira intervenção interativa em nosso mural fomos surpreendidos com a depredação do mesmo! Sim, minha gente! Arrancaram quase tudo do mural, mais um pouco e fica só a parede pelada! Levaram papéis, caneta e quase tudo, enfim. Decidimos não mais utilizar esse meio de comunicação com todos os freqüentadores do IPPMG, estávamos desmotivados com tamanha selvageria e o sentimento era de descrédito em todos que por ali desfilam… Porém, para nossa grata surpresa ao passarmos em frente ao endereço de nosso mural, o mesmo havia sido reformado! E que reforma! Todo bem enfeitado, colorido, e com belos desenhos onde eu e Doutor Provisório somos homenageados, e devo aqui reconhecer o talento do desenhista, pois conseguir fazer um desenho em que o Provisório é bonito não é fácil!

O que se Passa com o Penteado do Provisório
Por onde andamos, o penteado do Provisório tem despertado curiosidade, então vou logo esclarecendo a questão antes de mais e mais perguntas: Sim, o Provisório cortou, um pouco, os cabelos! Outra questão: Não, o motivo não foi piolho! A motivação do Provisório não foi sequer a vaidade, foi uma causa externa que provocou essa decisão, ao passar pela linha vermelha, com parte do cabelo para fora do ônibus, já que do lado de dentro a cabeleira incomoda os demais passageiros, uma linha de pipa com cerol embolou na juba obrigando nosso amigo Vanessa da Mata a diminuir parte de sua mata capilar. E tenho dito, ou melhor, escrito!

E já que começamos com belas palavras…

“O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”

Fernando Pessoa

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